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	<title>Lua Minguante</title>
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		<title>Lua Minguante</title>
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		<title>Sonhos de uma madrugada fria</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 17:42:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>agarota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu nasci cega. Eu vivi cega. Eu morri cega. Não me incomodava viver em meus pensamentos sem os estímulos visuais, pois nunca os tive, e mesmo que entendesse o conceito do que era esta visão que todos tinham e que diziam que me faltava, era uma compreensão teórica e vazia. Como, por exemplo, se eu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=84&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu nasci cega. Eu vivi cega. Eu morri cega.</p>
<p>Não me incomodava viver em meus pensamentos sem os estímulos visuais, pois nunca os tive, e mesmo que entendesse o conceito do que era esta visão que todos tinham e que diziam que me faltava, era uma compreensão teórica e vazia. Como, por exemplo, se eu tentar te explicar uma cor nova. Não uma mistura do vermelho, amarelo e azul e nem uma nuance de qualquer outra cor secundária ou terciária. Uma cor totalmente nova. Que não se parece com nenhuma outra cor reconhecida pelos seus olhos. Você consegue entender o conceito, mas nunca vai conseguir imaginar o que estou querendo dizer. E, também, não vai sentir a menor falta.</p>
<p>É impossível descrever meu espanto, a falta de ar, o coração preso na garganta quanto, pela primeira vez, minha escuridão habitual foi dando lugar a uma luz clara e forte que vinha de longe e crescia cada vez mais em minha direção, quando essa luz clara começou a se aproximar e mudar, quando tive pela primeira vez a sensação de uma represa que de repente jorra uma torrente de cores e luzes e brilhos e sensações em direção ao meu cérebro. Se tivesse que me equilibrar, acho que com certeza teria caído. Mas não havia cima, baixo, lado ou outro lado, havia apenas cores e mais cores, e eu no meio delas todas, chocada, me sentindo atacada, pensando se a morte não tinha me colocado em um castigo eterno de ser atacada incessantemente por coisas aterrorizantes e desconhecidas. Levei um tempo até começar a perceber limites e me dar conta de que as coisas confusas deviam ser a visão de que todos falavam, já que as cores e profundidades combinavam com o que eu estava acostumada a tocar.</p>
<p>Demorei a aprender a apreciar tudo que agora podia perceber. No começo buscava ficar de olhos fechados e bloquear ao máximo possível tudo aquilo de estranho lá fora, gritava revoltada se não podiam ao menos terem deixado tudo como era antes, como me era confortável, do jeitinho com o qual eu já estava acostumada. Mas, não! E quando eu abria os olhos era de novo o choque e o turbilhão. Mas eu não podia passar a eternidade com os olhos fechados. Então, aos poucos, fui deixando entrar um pouco de luz por entre as pálpebras semi-cerradas. Passei a olhar um pouco pro céu. A ver quantos tons diferentes uma única árvore possuía. E, como se a distância não fosse problema, passei a visitar lugares com vistas cada vez mais estonteantes, a ver grandes peças de arte que me despertavam emoção, a aprender como diferenciar a cor do asfalto antes e depois da chuva.</p>
<p>Tudo isso, enquanto eu dormia.<span id="more-84"></span></p>
<p>Nunca contei a ninguém o que acontecia nos meus sonhos. Durante um tempo, estar acordada se tornou uma coisa extremamente depressiva para mim, e eu só me sentia feliz quando ia dormir. Cheguei a pensar em me matar, considerando que na morte eu provavelmente veria do mesmo jeito que vejo em meus sonhos, mas fiquei com medo de que, se eu tirasse minha própria vida, fosse acabar sendo castigada do lado de lá, fosse ficar sem ter nada para ver. Então simplesmente aceitei que minha vida seria feita de pequenos pedaços negros entre meus sonhos coloridos. Resolvi aceitá-la estoicamente, até o fim, para poder finalmente me ver. Ah, sim, tem isso também. Em todos os meus sonhos, durante toda minha vida, nunca consegui ver meu próprio rosto. Nenhuma superfície enquanto durmo reflete mais que borrões. O mesmo acontece com o rosto de outras pessoas. É a única coisa que me falta conhecer.</p>
<p>E agora, quando finalmente minha hora se aproxima, meus familiares vão ficando cada vez mais tristes e eu vou ficando cada vez mais animada. Eles acham que meu bom humor todo vem da minha confiança de que a medicina vai encontrar um jeito de que eu viva mais uns bons 30 ou 50 anos. Não entendem que não é isso que eu quero. Mas insistem, já vieram me falar de várias técnicas novas e revolucionárias. Insistem para que eu congele meu corpo, para que ele seja trazido de volta e que eu possa viver até poder ver um novo século, uma nova era.</p>
<p>Eles não entendem. O mundo nunca vai mudar, por mais que os anos passem. As pessoas vão sempre ser as mesmas. Já tive por aqui todo o tempo necessário. Morrer, para mim, não vai ser ver a escuridão se aproximando aos poucos, roubando a vida, as cores e os limites entre minha realidade e o grande nada. Vai ser ver de novo aquela luz vinda do nada, até estourar contra mim como uma miríade de cores novamente.</p>
<p>E enquanto a escuridão vai clareando, minhas últimas forças mortais são pra um único pensamento, um único pedido suplicado, para que não me tragam mais de volta.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/luaminguante.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/luaminguante.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/luaminguante.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/luaminguante.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/luaminguante.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/luaminguante.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/luaminguante.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/luaminguante.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/luaminguante.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/luaminguante.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/luaminguante.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/luaminguante.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/luaminguante.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/luaminguante.wordpress.com/84/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=84&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Enquanto você dormia</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 23:10:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>agarota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Porque eu tenho o costume de acordar cedo, já pelas oito e meia da manhã meu organismo silenciosamente se rebela contra o fato de ser domingo e de eu querer continuar na cama até pelo menos meio dia e meia. E entre um sonho interrompido e o trocar de lado pra cair num outro espasmo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=78&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Porque eu tenho o costume de acordar cedo, já pelas oito e meia da manhã meu organismo silenciosamente se rebela contra o fato de ser domingo e de eu querer continuar na cama até pelo menos meio dia e meia. E entre um sonho interrompido e o trocar de lado pra cair num outro espasmo curto de imaginação, meus olhos ainda sonolentos te vêem assim de lado com a boca meio aberta, um rosto tão sério que é tão diferente do seu normal e ao mesmo tempo tão de criança, que é tão você e ao mesmo tempo não é.</p>
<p>E eu fico me perguntando se todo mundo quando dorme fica com um ar infantil no rosto, ou se isso são só coisas que eu vejo por estar com sono e por te amar tanto. Ver você dormindo assim com tanta tranqüilidade faz com que algo dentro de mim me faça acreditar você só está dormindo tão bem porque sabe que a qualquer momento vai poder esticar o braço e me puxar mais pra perto, e nossas peles vão se tocar e nossos cheiros vão se misturar como se misturam nossos planos, sonhos e desejos. Mais tarde, quando eu adormecer sem você está noite, com alguma sorte ainda vai ter algum resto do seu cheiro no travesseiro. E isso não me serviria de nada se não fosse pra lembrar da cena de agora, seus ombros recortados contra a parede branca e iluminados pela luz que insiste em entrar filtrada pela cortina.<span id="more-78"></span></p>
<p>Eu sussurro um &#8220;ah, droga, eu te amo&#8221; com os olhos fechados e você dá um meio grunido e se meche um pouco, e fico preocupada de você ter ouvido e de ter feito você acordar. Mas logo você respira fundo, se acalma e volta a sonhar. Que bom. É melhor assim, sem você ter escutado nada. Não é preciso que eu diga o quanto é possível se apaixonar pelo rosto de alguém dormindo, não seria justo pra nenhum de nós dois que eu diga a extensão dos meus sentimentos. Mas por alguns momentos eu queria não me fiar pelo que é justo.</p>
<p>Porque também não é nem justo nem certo que esta seja a última vez em que eu vou dormir do seu lado. Não é justo que termine assim. Mas a sua veemência foi tão grande ao decidir que não havia nada a ser feito a respeito do nosso impasse que fico pensando se, afinal, a perda não foi maior pra mim do que pra você. A veemência das vidas separadas, o obstáculo tão grande que dessa vez não dá pra atravessar. Que nos reste a amizade, se ela ainda sobreviver. E ainda assim, ainda com o peso do término nas costas e das lágrimas nos olhos, passamos essa última noite juntos, só dormindo, abraçados, só porque já estávamos aqui mesmo. Só pra adiar a perda inevitável dos costumes e carinhos. Viro pro outro lado e confabulo sobre o que será que você está sonhando, mas de qualquer forma, não deve ser comigo. Você se meche de novo, acorda um pouco e me pergunta as horas sem abrir os olhos, eu minto dizendo que é mais cedo. Não quero que esta noite acabe.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/luaminguante.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/luaminguante.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/luaminguante.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/luaminguante.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/luaminguante.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/luaminguante.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/luaminguante.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/luaminguante.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/luaminguante.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/luaminguante.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/luaminguante.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/luaminguante.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/luaminguante.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/luaminguante.wordpress.com/78/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=78&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Romeu, Romeu, onde estás, Romeu?</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 23:09:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>agarota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu nome não é Julieta. Chamo-me Gabriela. E, na verdade, não tenho nada em comum com a clássica personagem de Shakespeare, além do fato de, com ela, ter me apaixonado por um Romeu. Os pais dele sempre foram românticos, amantes da literatura. Ele também. Sempre escreveu contos, romances, chegava a arriscar uns poemas vez ou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=76&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu nome não é Julieta. Chamo-me Gabriela. E, na verdade, não tenho nada em comum com a clássica personagem de Shakespeare, além do fato de, com ela, ter me apaixonado por um Romeu.</p>
<p>Os pais dele sempre foram românticos, amantes da literatura. Ele também. Sempre escreveu contos, romances, chegava a arriscar uns poemas vez ou outra – só quando a coisa fica feia, dizia. Já eu sempre preferi os números, as fórmulas e equações. Passei pra faculdade pública, no curso de Física, com 18 anos. Com 23 estava no Mestrado. Uma pesquisadora e cientista, desde cedo. Enquanto ele, romântico, evasivo, já havia começado duas faculdades e passado seis meses viajando pelo litoral do Brasil, antes que eu terminasse a minha primeira graduação. Todo mundo dizia que nunca ia dar certo. Eu sabia que nunca ia dar certo. Antes do nosso primeiro beijo, eu perguntei a ele:</p>
<p>- Você acha que existe alguma chance disso dar certo?</p>
<p>E a resposta eu já sabia, claro, vinda da boca dele:</p>
<p>- Não vai, mas vai ser divertidíssimo.<span id="more-76"></span></p>
<p>E tudo que eu precisava era ser divertidíssimo. E era ser com ele.</p>
<p>Ficamos juntos por pouco tempo. Mas eu nunca havia conhecido um homem como ele. Pra mim, que sempre tinha desprezado “tipos” e “ideais”, Romeu chegou com violência, furor, estuprando meus conceitos de que “não existe nem nunca vai existir um cara perfeito”. Ah, ele existia. E era Romeu.</p>
<p>Mas eu não era a Capuleto de seus sonhos, nem ele era meu Montecchio perfeito. Havia muito mais impossibilidade do que realidade entre nós. E eventualmente, mais cedo do que eu gostaria, o mundo nos colocou em caminhos separados. Hoje em dia sou casada, moro na Inglaterra e completei meu PhD há poucos anos. Nunca mais soube de Romeu. Mas ainda penso nele, com a freqüência de uma jovem apaixonada.</p>
<p>Penso em Romeu quando vejo poetas de calçada. Penso em Romeu quando ouço música de câmara e me lembro o quanto ele gostava de andar pela rua assobiando Chopin. Especialmente, penso em Romeu quando brigo com meu marido. Quando as crianças me dão dor de cabeça e minha vontade é de afogar a cabeça debaixo de um travesseiro até não ouvir mais nada. Penso em Romeu nos meus momentos ruins, de desânimo, de tristeza, quando me entretenho imaginando a vida que teríamos levado. As viagens, as discussões filosóficas, uma casa na serra pra onde voltar e assistir DVDs nas cobertas, depois de ter passado tanto tempo longe de casa que a tranqüilidade parecesse apetitosa. Romeu virou meu porto seguro, pensar em Romeu me dá novas forças, amar Romeu me faz feliz, mesmo que ele nunca vá saber de todo o meu amor. As vezes, chego a pensar que seja melhor que ele não saiba. Talvez seja melhor mesmo que nada tenha acontecido. Romeu e Julieta não foram feitos pra ficarem juntos – só na morte, que une finalmente todas as coisas. Como ambos amamos, além de um ao outro, a vida, esta solução nos seria impossível. Quem sabe, em algum outro lado da existência. Quem sabe, em alguma outra oportunidade.</p>
<p>Se não fosse Romeu em quem eu pensaria, sorrindo e olhando pro céu, quando tudo mais à minha volta parece desabar? Preciso do meu platonismo. Preciso do meu amor que existe só por ser amor, só pra que eu possa senti-lo e achar que, por ele existir, o mundo fica de alguma forma mais bonito. Preciso dos meus sonhos. Preciso do meu Romeu.</p>
<p>Ah, Romeu.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/luaminguante.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/luaminguante.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/luaminguante.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/luaminguante.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/luaminguante.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/luaminguante.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/luaminguante.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/luaminguante.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/luaminguante.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/luaminguante.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/luaminguante.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/luaminguante.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/luaminguante.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/luaminguante.wordpress.com/76/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=76&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Seja gentil</title>
		<link>http://luaminguante.wordpress.com/2010/08/08/seja-gentil/</link>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 23:07:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>agarota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[age is no crime but the shame of a deliberately wasted life among so many deliberately wasted lives is. - Charles Bukowski Você pensa que a dor de morrer é grande, não é? Ah, existem tantas dores maiores. Existem tantos prazeres menores. O que acontece é que você não tem consciência da sua própria vida. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=73&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><em>age is no crime</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>but the shame<br />
</em><em>of a deliberately<br />
</em><em>wasted<br />
</em><em>life</em></p>
<p style="text-align:right;"><em> </em><em>among so many<br />
</em><em>deliberately<br />
</em><em>wasted<br />
</em><em>lives</em></p>
<p style="text-align:right;"><em></em><em>is.</em></p>
<p style="text-align:right;"><em> </em></p>
<p style="text-align:right;"><em>- Charles Bukowski</em></p>
<p>Você pensa que a dor de morrer é grande, não é? Ah, existem tantas dores maiores. Existem tantos prazeres menores.<span id="more-73"></span></p>
<p>O que acontece é que você não tem consciência da sua própria vida. Consciência do esforço de cada músculo sendo contraído e distendido a cada passo, da frieza do ar entrando pelas suas narinas e descendo pelo peito até os pulmões. Do calor do sangue correndo incessantemente pelas suas veias.</p>
<p>Não são poucos os que dizem que temos um “dom”. Bem, acho que isso vai depender do seu ponto de vista, já que um número não menor de pessoas – estejam elas vivas ou não – nos classificam como amaldiçoados. Uma aguçada ironia divina, permitindo-nos ver, entender, apreciar, quando não há mais vida para sentir. A perda do nosso calor próprio nos ensina a valorizar o calor da pele quente num abraço. Chega até a ser clichê. Minha opinião a respeito? Ah, isso não tem mais importância.</p>
<p>De que adianta enxergar sua existência como isto ou aquilo, como um propósito divino ou como um acaso da sorte, se de qualquer forma você continua lá, sujeito às necessidades do seu corpo, às regras do seu mundo, à mercê dos desejos da sua mente que você nunca sabe se está perdida ou sã. Estamos fadados a ver tudo a nossa volta morrer, a ver os seres vivos cometendo suas atitudes estúpidas de seres vivos. Temos tempo para aprender, para ver como as voltas do mundo nos levam sempre para o mesmo lugar. Em compensação, nos é negado o calor do sol, e conforme o tempo vai passando, mais e mais vamos perdendo o refúgio da humanidade que nos resta. Vocês pensam na morte com sensualidade, paixão, com a luxúria de se precisar do sangue de outro ser vivo para existir. Enxergam a morte como uma solução para que não haja mais dores e para que só os prazeres permaneçam. Mas a morte é só mais um passo. Deste lado também não há prazer sem sofrimento. A morte é incongruente. Confusa. Solitária. Assim como a vida, ou talvez mais.</p>
<p>Quanto a mim, já tive meu tempo. Aprendi que não soube apreciar a vida que tive. Aprendi também que a morte me serviu para certos propósitos, mas que a dama de preto é tão vazia quanto eu. Talvez, em algum lugar, haja uma outra solução. Talvez, em algum outro lugar, seja possível entender. Talvez as coisas não precisassem ser assim.</p>
<p>Seja lá o que for, tomei minha decisão. Esperarei aqui pelo meu último nascer do sol. Não tenho tanto medo quanto tive quando morri pela primeira vez. Agora eu sei que morrer não dói. O que dói é perder a vida.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/luaminguante.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/luaminguante.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/luaminguante.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/luaminguante.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/luaminguante.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/luaminguante.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/luaminguante.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/luaminguante.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/luaminguante.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/luaminguante.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/luaminguante.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/luaminguante.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/luaminguante.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/luaminguante.wordpress.com/73/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=73&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Como dois animais</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 23:03:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>agarota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu nome é Nicholas. E, tenho que admitir desde o começo, sempre tive um coração mais mole de pudim de leite de vó. Por isso, acho que fica até compreensível eu dizer que, um dia desses, eu estava caminhando pela rua, cuidando da minha vida, quando a vi. Magrinha, um pouco pequena pra sua raça, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=71&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu nome é Nicholas. E, tenho que admitir desde o começo, sempre tive um coração mais mole de pudim de leite de vó. Por isso, acho que fica até compreensível eu dizer que, um dia desses, eu estava caminhando pela rua, cuidando da minha vida, quando a vi. Magrinha, um pouco pequena pra sua raça, provavelmente mestiça, e com uns olhos mais tristes que passarinho engaiolado e mais solitários que uma cobra no deserto. Não resisti. Me aproximei e, dentro de poucos minutos e de um ou outro afago, estávamos a caminho de casa.</p>
<p>A adaptação foi um pouco difícil, mas com muito carinho e atenção, logo estabelecemos uma rotina simples na casa pequena mas com um bem arborizado jardim em que vivíamos apenas os dois. Sempre fazíamos as refeições no mesmo horário, e no finzinho do dia haviam longos passeios por um parque lá perto.</p>
<p>Até que, como sempre acontece com as rotinas confortáveis, algo aconteceu.<span id="more-71"></span></p>
<p>Primeiro, foi aos poucos. Mas comecei a notar que ela ia ficando ausente, se não no físico, mas naquele olhar que da primeira vez tanto havia me chamado a atenção. Um tempo depois eu passei a perceber o motivo. Claro, seria difícil que não: toda vez que o “motivo” passava na rua, lá ia ela correndo pro portão. Ora essa, pensei, que ultraje. Então um vadio qualquer que passa pela rua acha que pode vir aqui se engraçar no meu portão e ameaçar aquela que eu tratei com tanto amor? Mas ela não parecia achar a mesma coisa. Eu tentava fazer com que ela não o percebesse, mas parece que havia algo que a chamava, esses instintos que eu nunca vou entender. Passei a tentar ameaçá-lo. No começo ele me via e se afastava, mas com o tempo, nem isso.</p>
<p>Você há de entender minha proteção. Não que eu não confiasse nela, mas sempre soube que ela era frágil. Não só por fora. Eu sabia o quanto ela precisava de atenção. Não seria bom, para ela, passar por mais abandonos, visto o estado em que a pobrezinha estava quando eu a encontrei. Sem contar que, vamos admitir, fêmeas têm aquela coisa. <em>Aquela</em> que nós nunca vamos conseguir entender, explicar e muito menos controlar. E eu, definitivamente, não a queria perto daquele perdido.</p>
<p>Mas o que fazer? A gente cria, cuida, e de repente dá nisso. Mas não vou deixá-la sozinha novamente. Outro dia, sem que eu percebesse, voltei do meu revigorante sono da tarde e quem eu encontro na sala? Botei-o pra correr aos gritos. Mas temo que ele possa entrar de novo. Bem, que entre. Continuarei aqui onde estou. Parado na frente da porta, olfato apurado em busca do cheio dele, só esperando que ele tente se apossar da minha pequena princesa, tão carinhosa, que agora lê tranqüila na poltrona da sala. Ela sabe que pode ficar tranqüila comigo aqui, mesmo que não reconheça a ameaça que ela mesma insiste em trazer pra casa. Não se preocupe. Seu cão nunca a abandonará, minha dama. Serei leal até a morte.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/luaminguante.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/luaminguante.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/luaminguante.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/luaminguante.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/luaminguante.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/luaminguante.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/luaminguante.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/luaminguante.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/luaminguante.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/luaminguante.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/luaminguante.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/luaminguante.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/luaminguante.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/luaminguante.wordpress.com/71/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=71&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Tem sido longos dias</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 23:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>agarota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pequena História]]></category>

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		<description><![CDATA[Há quanto tempo eu não levanto meu olhar do chão? Hoje, depois de muito tempo, me pus a observar a paisagem por uns bons vinte minutos, sem me importar se o telefone ia tocar lá dentro ou se alguém ia me chamar pra fazer algo urgente. Assim, só olhando, encostada na janela. Ouvindo os sons [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=68&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há quanto tempo eu não levanto meu olhar do chão?</p>
<p>Hoje, depois de muito tempo, me pus a observar a paisagem por uns bons vinte minutos, sem me importar se o telefone ia tocar lá dentro ou se alguém ia me chamar pra fazer algo urgente. Assim, só olhando, encostada na janela. Ouvindo os sons da rua. Vendo as velhas levando seus cachorros pra passear e os adolescentes barulhentos voltando da escola. Tinha um senhor, também, de cabelos poucos e brancos, numa janela do outro lado da rua, observando tudo. Olhando pro horizonte. Meu olhar seguiu o dele.</p>
<p>Não me lembro quanto foi a última vez que foquei meus olhos no horizonte. Mas deve fazer, já, bastante tempo. Meus óculos são novos, mas a distância ainda assim ficou borrada, inatingível, quase efêmera. Talvez fosse a luz. Talvez fosse algum reflexo de calor. Ou talvez fossem apenas meus olhos desacostumados.</p>
<p>Era incomodo ficar olhando praquela direção, e ainda assim eu continuei. Não podia acreditar que eu havia me perdido tanto, que eu havia perdido o horizonte que sempre guiou meus passos e me deu vontade de andar. O que mais eu perdi e nem reparei? Quanto tempo ainda vou levar pra recuperar tudo? Se é que são coisas que dá pra recuperar.</p>
<p>Respostas que só se tem com o tempo são, para mim, as piores de se obter. Já fui mais paciente do que sou hoje, mas isso também se foi. Pelo jeito, será a primeira coisa a ter que voltar, já que a outra opção é ignorar as perguntas e simplesmente deixar pra lá tudo que perdi. E isso eu não posso deixar de lado. O que me sobra, se eu mesma não me reconhecer mais?</p>
<p>Terei de novo paciência. Olharei para o horizonte até que meus olhos se acostumem de novo. Vou desenterrar todo o lixo que eu mesma joguei em cima de mim, até que minhas mãos sejam visíveis de novo, até que meu peito possa respirar em paz novamente.</p>
<p>Mesmo que demore, eu vou me achar outra vez.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/luaminguante.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/luaminguante.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/luaminguante.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/luaminguante.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/luaminguante.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/luaminguante.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/luaminguante.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/luaminguante.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/luaminguante.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/luaminguante.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/luaminguante.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/luaminguante.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/luaminguante.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/luaminguante.wordpress.com/68/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=68&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Desencanto</title>
		<link>http://luaminguante.wordpress.com/2010/08/08/desencanto/</link>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 22:51:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>agarota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pequena História]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu faço versos como quem chora De desalento&#8230; de desencanto&#8230; Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto. - Manual Bandeira Lá fora o céu está cinza e chove uma garoa fina e insistente desde as horas da madrugada. Aqui dentro, também é tudo cinza e chuvoso. Não dentro do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=65&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><em>Eu faço versos como quem chora<br />
De desalento&#8230; de desencanto&#8230;<br />
Fecha o meu livro, se por agora<br />
Não tens motivo nenhum de pranto.</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>- Manual Bandeira</em></p>
<p>Lá fora o céu está cinza e chove uma garoa fina e insistente desde as horas da madrugada. Aqui dentro, também é tudo cinza e chuvoso. Não dentro do quarto onde estou, seca, quente e confortável, mas dentro de mim tudo é chuva e cinza e incômodo. Parece que dentro de mim sempre há a chuva e o incômodo.</p>
<p>Eu busco acalanto em poetas mortos que não me conhecem, e tudo que eles dizem é que talvez eu não seja a única pessoa do mundo com essa vastidão de melancolia por dentro. Não sei o quanto isso me alivia ou não. Mas também, não sei o que exatamente eu busco em todos eles – os poetas vivos, os mortos, os contistas e cronistas e músicos e romancistas e também nos amigos, nas pessoas presentes, nas ausentes, nos que eu amo e nos que eu tento amar. Talvez uma resposta, mas ao quê, eu não sei dizer. A explicação sobre tudo, a lógica por trás das coisas que acontecem, o porquê a gente tem que passar por tudo dessa forma e se sentir desse jeito. Eu busco em humanos respostas que talvez nem o céu possa me dar.</p>
<p>No meio do meu mundo interior onde chove sem parar, parece que eu tudo tem uma palavra grande e em letras garrafais, que me grita sempre “INCOMPLETO” e “IMPOSSÍVEL”, duas palavras que me doem mais que qualquer outra coisa, talvez menos só do que saber que todas as minhas perguntas nunca vão ser respondidas.</p>
<p>E os “porquês” vão sendo jogados na minha frente, um depois do outro, e eu vou lendo sobre amores impossíveis, desejos impossíveis, mais e mais fomes que me parece que nunca foram saciadas, e penso se ainda existe esperança pra mim em algum lugar.</p>
<p>Em algum lugar, parece que algumas pessoas se encontraram. Na tamanha simplicidade do Caeiro, que me diz que pensar incomoda como andar na chuva e que pensar é estar doente dos olhos. E um aviador com nome de santo me diz que aprendeu, um dia, que as flores são contraditórias e que sempre se corre o risco de chorar um pouco pra ganhar algo. Eu, as vezes eu choro muito. Talvez isso queira dizer que eu também tenha ganho bastante coisa. Talvez. Não custa pensar positivo.</p>
<p>Afinal, mesmo que todos os dias sejam de chuva, nem todos eles são cinzas. Alguns tem sol, e a água clareia as cores e faz o verde das árvores ficar mais verde, ou o aconchego do abraço ficar mais quente, e por um momento talvez dá pra pensar que não vale a pena mesmo ficar se perguntando tanto sobre tudo, e que talvez até valha a pena sofrer um tanto assim em troca de certos sorrisos. Quem sabe? Eu não sei. Sei só que uma paisagem seca não me saciaria, então talvez seja mesmo pra eu aprender a lidar com os dias cinzentos. Talvez haja um par de olhos que possa embalsamar minha solidão de vez em quando.</p>
<p>Talvez eu vá morrer fazendo perguntas, mas ainda assim dizendo que valeu a pena.</p>
<p>Quem sabe? Resta acreditar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/luaminguante.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/luaminguante.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/luaminguante.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/luaminguante.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/luaminguante.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/luaminguante.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/luaminguante.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/luaminguante.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/luaminguante.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/luaminguante.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/luaminguante.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/luaminguante.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/luaminguante.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/luaminguante.wordpress.com/65/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=65&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>A última canção de ninar</title>
		<link>http://luaminguante.wordpress.com/2009/09/10/a-ultima-cancao-de-ninar/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 16:15:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>agarota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[E então que essa garota, no auge dos seus catorze anos, num dia que pra ela não foi tão belo assim, perdeu seu brinco preferido. Não os dois, o que teria sido ainda mais triste mas talvez mais aceitável, mas apenas um. E ela não sabia se tinha sido culpa da empregada, se havia sido [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=61&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E então que essa garota, no auge dos seus catorze anos, num dia que pra ela não foi tão belo assim, perdeu seu brinco preferido. Não os dois, o que teria sido ainda mais triste mas talvez mais aceitável, mas apenas um. E ela não sabia se tinha sido culpa da empregada, se havia sido a própria bagunça do seu quarto ou se o gato num dia de arrelia jogara o pobre brinco pra detrás do armário, tudo que ela sabia era que a impossibilidade, aquele dia, estava na forma de um único brinco prateado. Não que o brinco fosse realmente de prata, ou que fosse caro ou que tivesse uma história muito importante – era só um brinco desses de barraca de camelô, mas que ela adorava. E que, agora, não usaria mais.</p>
<p>Ela, como eu disse, era apenas uma garota, mas mesmo as garotas de quatorze anos já têm algo dentro de si que as faz completamente mulheres, assim como mesmo as mulheres mais sérias têm dentro de si uma garotinha que volta eventualmente numa risada no parque ou enquanto elas tomam um milk-shake. E a mulher dentro da garota a impediu de se desfazer do brinco viúvo. Da mesma forma que a impediu de se desfazer, mais tarde, do colar com pingente de estrela ganho do namorado e que arrebentou o cordão. Ou daquele prendedor de cabelo que ela pegou emprestado da melhor amiga da sétima série e nunca mais devolveu. Tudo isso e muitos outros pequenos souvenires, guardados dentro de uma caixa metálica de colomba pascal roubada antes da mãe jogar fora.<span id="more-61"></span></p>
<p>Não sei dizer o quanto isso influenciou no fato da garota crescer com essa mania de querer tanto se agarrar a tudo que escapava por entre seus dedos como névoa, ou se ela a mulher dentro dela já tinha esse tipo de nostalgia em que se sente falta das coisas antes mesmo delas irem embora. O fato é que o tempo passou e ela, dia após dia, pessoa após pessoa, tentava em vão achar algo ou alguém em que pudesse se agarrar no seu mundo que parecia, as vezes, preso à vida por um fio tão leve. Mais de uma vez, ela se viu presa à realidade por uma névoa fraca e fina, e enxergou com olhar aguçado como seria fácil desfazer tudo com quem puxa um fio solto de tricô.</p>
<p>Até um dia em que, enquanto esperava uma amiga pro almoço, ela ao invés disso viu dobrar a esquina um outro homem que ela não sabia quem era, mas naquela hora, só pode pensar um &#8220;ah, merda&#8221;. E nem sabia o porquê desse pensamento. E quando a amiga chegou, esbaforida, ela parou no caminho pra conversar com o tal cara, e durante o almoço que agora era a três, a garota-agora-mulher descobriu que ele tinha feito o colégio junto da amiga e que não se viam há muito tempo, ela não se incomodava dele ter sido chamado pra almoçar também, né?</p>
<p>E muito tempo depois, mas muito tempo mesmo, quando ele finalmente foi embora, ela enterrou no quintal todas aquelas coisas guardadas na caixa na qual ela já não mexia há anos, depois do elo mais importante que a prendia ao mundo foi enterrado numa cova profunda e cinza. E diante do vazio, tudo que ecoava agora dentro do alumínio já meio enferrujado era apenas uma voz grave, profunda como que vindo de muito longe, envolvendo-a enquanto ela fechava seus olhos agora cobertos de rugas. Uma voz que, incessante, repetia e batia nas paredes e voltava, ecoando no cérebro que por sua vez fazia vibrarem os tímpanos ao som de um tom imaginário. Repetindo sempre, sempre, sempre a mesma frase. “Até mais, meu bem&#8230;”</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/luaminguante.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/luaminguante.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/luaminguante.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/luaminguante.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/luaminguante.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/luaminguante.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/luaminguante.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/luaminguante.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/luaminguante.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/luaminguante.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/luaminguante.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/luaminguante.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/luaminguante.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/luaminguante.wordpress.com/61/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=61&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Conto de um Natal de 2003</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Sep 2009 21:11:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>agarota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pequena História]]></category>

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		<description><![CDATA[É natal. Véspera. Reunião de família, ceia, árvores, presentes. Ela não pensa nos presentes. Toda vez que alguém tenta, em vão, atiçar sua curiosidade, ela responde baixinho: o que eu queria, já ganhei mesmo. Ele anda atarefado. Ajuda a mãe na cozinha &#8211; gosta de cozinhar, quer ser chef algum dia &#8211; fazem bolinho de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=60&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É natal. Véspera. Reunião de família, ceia, árvores, presentes.</p>
<p>Ela não pensa nos presentes. Toda vez que alguém tenta, em vão, atiçar sua curiosidade, ela responde baixinho: o que eu queria, já ganhei mesmo.</p>
<p>Ele anda atarefado. Ajuda a mãe na cozinha &#8211; gosta de cozinhar, quer ser chef algum dia &#8211; fazem bolinho de bacalhau, rabanada.</p>
<p>Ela ouve as tias falando, mas não escuta.</p>
<p>Ele coloca pratos demais na mesa, mas nem percebe.</p>
<p>Pensam um no outro. Não adianta tentar evitar, a idéia volta, insistente. Ela se pergunta se ele está pensando nela. Ele se pergunta se ela vai lembrar dele. No fundo, ambos sabem a resposta.</p>
<p>Ele se inquieta. Lembra dos beijos, de olhar nos olhos. Por dentro, a saudade o machuca, aperta, deixa sem fôlego. A mãe o chama na cozinha, ele volta à realidade.</p>
<p>Ela pensa em tudo que aconteceu, tão pouco tempo atrás. Pensa no rosto dele, nas músicas, nas coisas sussurradas ao ouvido. Sufoca-lhe a nostalgia, ela acorda e volta ao seu mundo.</p>
<p>Que idade eles tem, quantos anos? Quinze, dezesseis, vinte, cinqüenta, cinco mil? Nada disso importa agora.</p>
<p>Importa o momento, aquele momento mágico, em que os pensamentos se encontram e ambos tem uma súbita e clara certeza: certeza de que amam. E de que são amados.</p>
<p>Estão juntos, é isso que importa. Existem quilômetros os separando. Mas em algum lugar de sonhos, que a mente não alcança, eles estão juntos. E sabem disso.</p>
<p>E sorriem.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/luaminguante.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/luaminguante.wordpress.com/60/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/luaminguante.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/luaminguante.wordpress.com/60/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/luaminguante.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/luaminguante.wordpress.com/60/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/luaminguante.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/luaminguante.wordpress.com/60/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/luaminguante.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/luaminguante.wordpress.com/60/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/luaminguante.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/luaminguante.wordpress.com/60/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/luaminguante.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/luaminguante.wordpress.com/60/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=60&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Eu que nunca aprendi a dizer adeus</title>
		<link>http://luaminguante.wordpress.com/2009/08/27/eu-que-nunca-aprendi-a-dizer-adeus/</link>
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		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 18:43:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>agarota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[E agora, você está indo embora. E eu tenho que te abraçar sem chorar, voltar pra casa sem olhar pra trás e sair com nossos amigos como se não houvesse esse pedaço vazio de um metro e setenta andando ao meu lado. Eu não desejaria outra coisa, entretanto. É seu sonho, sua vida, e eu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=57&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E agora, você está indo embora. E eu tenho que te abraçar sem chorar, voltar pra casa sem olhar pra trás e sair com nossos amigos como se não houvesse esse pedaço vazio de um metro e setenta andando ao meu lado.</p>
<p>Eu não desejaria outra coisa, entretanto. É seu sonho, sua vida, e eu jamais seria capaz de fazer algo que não fosse te apoiar pra ir em busca dos seus desejos, assim como você sempre fez pra mim. Fomos assim desde o começo e assim seríamos no final. Você me ajudou a planejar, economizar nos jantares, escolher a vista e decorar os quartos do meu apartamento com varanda e eu te ajudei a organizar os documentos, ajeitar os papéis, traduzir as cartas de recomendação e escolher as roupas de frio pra você ir fazer seu mestrado na Inglaterra. Este sempre foi o certo nas nossas cabeças tão diferentes do resto do mundo, mas tão iguais entre nós. Nunca achei que encontraria alguém assim igual. Deveríamos viver nossas vidas e aproveitar ao máximo enquanto os nossos caminhos estivessem juntos, e vivemos e aproveitamos. Mas uma parte de mim, a parte de mim que nunca soube lidar com partidas e perdas, mesmo sabendo que a vida é feita delas, ainda tinha uma vaga esperança de que no fim das contas nossos caminhos acabassem sendo os mesmos por todo o tempo.</p>
<p>Não foram.<span id="more-57"></span></p>
<p>E eu sei tão bem quanto você que você vai embora pra não voltar tão cedo. Afinal, como voltar a uma vida comum depois de se ter provado, mesmo que pelo espaço curto de alguns anos, o paraíso? Eu não teria coragem de lhe pedir e não gostaria que você aceitasse por mim se eu pedisse. No fim das contas, o nosso problema acaba sempre sendo o tempo. Essa obsessão ridícula com a eternidade. Como se dois anos fossem muita coisa, como se nossas vidas fossem muita coisa. Sabe qual é a idade do universo? Sabe qual é a idade da Terra? E o universo e a Terra um dia também vão sumir. E então do que vai ter adiantado seus dois anos sofrendo por aquele amor impossível ou os vinte que você deixou de viver porque resolveu casar cedo demais? Uma vida de cem anos vai significar tão pouco quanto uma de vinte e sete. Instantes de brilho no piscar de olhos de uma estrela, momentos jogados pelo acaso, e nada mais. Podemos apenas cuidar para que nosso brilho seja forte. Para que brilhemos o suficiente para nos reconhecermos e nos reencontrarmos em algum lugar em que o tempo não vá mais fazer diferença.</p>
<p>Por isso eu deixo você ir por mais que me doa, por mais que outro qualquer possa pensar que nunca chegamos a pertencer um ao outro. Mas é preciso aprender primeiro a pertencer completamente a si mesmo. Só assim é possível se dar de forma completa, com todo o significado que uma doação assim deve ter. Sem querer mais nada. Só por querer se dar. Achando apenas que vale a pena.</p>
<p>Eu sentirei muito a sua falta. Deixo o carro na garagem e vou passando por todos os cômodos, recolhendo os restos de você deixados pra trás. O meu chinelo que você costumava usar jogado de lado na varanda. Um fio de cabelo longo deixado no travesseiro que você usou pela última vez algumas horas atrás. O gato vem miando atrás de mim, o que você batizou, e eu não sei se ele tem noção de que você acabou de ir embora. E, na minha mesa de cabeceira, eu encontro um anel. O seu anel. É, fomos assim desde o começo, com nossos carinhos velados e olhares silenciosos que sempre querem dizer mais do que mostram. Talvez um dia nossos caminhos se cruzem de novo. Talvez um dia você volte. Talvez não. Enquanto isso, dormirei com uma corrente com seu anel no meu pescoço, esperando que você sonhe comigo. E que em algum lugar, nos nossos sonhos ou depois deles, possamos ficar juntos sem o peso do “pra sempre” em nossas costas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/luaminguante.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/luaminguante.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/luaminguante.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/luaminguante.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/luaminguante.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/luaminguante.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/luaminguante.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/luaminguante.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/luaminguante.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/luaminguante.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/luaminguante.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/luaminguante.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/luaminguante.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/luaminguante.wordpress.com/57/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=luaminguante.wordpress.com&amp;blog=3438184&amp;post=57&amp;subd=luaminguante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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